BLOG DO JAKSON FITIPALDI: Eike Batista: uma síntese da bandidagem político-empresarial brasileira

sábado, 28 de janeiro de 2017

Eike Batista: uma síntese da bandidagem político-empresarial brasileira









por: Luiz Flávio Gomes

Eike Batista é o retrato fiel da bandidagem político-empresarial corrupta que confiava piamente (até o final de 2016) num grande “acordão” das elites de todos os poderes para enterrar a Lava Jato.

Os donos cleptocratas do poder diziam: “Com a prisão do Lula a operação está de bom tamanho”. É preciso “estancar a sangria” (Jucá).

Três foram as tentativas (no 2º semestre de 2016) de aprovar um “anistião” (uma lei de anistia, pelo menos do caixa dois). Operações sem êxito. A anistia continua sendo um sonho de consumo.

No dia 30/11/16, quando a Câmara trucidou (triturou) as dez medidas anticorrupção (medidas já bastante expurgadas no relatório final do deputado Onyx Lorenzoni), ainda era enorme a confiança da bandidagem na sua vitória. O ministro Fux anulou essa votação (mas sua decisão ainda depende da convalidação do Plenário do STF).

A certeza da impunidade das castas aumentou quando o crime organizado político-empresarial (com intervenções de Gilmar Mendes, FHC, Aécio, próceres do PT, como o senador Jorge Viana, e toda cúpula do PMDB, incluindo Sarney, Temer etc. – ver Veja) conseguiu o grande “conchavão” no STF (em 7/12/16), para manter o réu Renan na presidência do Senado.

Neste princípio do ano 2017 caiu a ficha da bandidagem que está em guerra com o império da lei: ela percebeu que a Lava Jato se transformou na maior operação policial-judicial em andamento do mundo.

Ela conta com um arsenal probatório inimaginável: 1,2 milhão de gigabytes estão sendo processados. E uma tonelada de delações importantes estão para vir a público.

Mais: vários países do planeta (a começar pelos EUA – departamento de Justiça e SEC – e Suíça – Ministério Público, além de Panamá, Peru, Equador, Argentina etc.) estão investigando as empresas e os políticos brasileiros envolvidos em corrupção (estão sendo escrutinadas sobretudo suas contas bancárias).

A bandidagem político-empresarial já começa a lutar claramente pela sua sobrevivência (política e econômica). Estão querendo interferir diretamente na escolha do novo relator para a Lava Jato assim como na nomeação do novo ministro. São postos muito estratégicos.

A prisão de Eike Batista é uma bomba na cabeça da bandidagem em guerra, porque ele já iniciou suas delações contra o PT, PMDB e PSDB.

Propinas obtidas mediante contratos públicos favorecidos ou fraudados foram doadas para todos esses partidos.

A promiscuidade desse empresário falido com o mundo político e partidário é o espelho da falência do sistema.

A carreira privilegiada e criminosa de Eike Batista
1) O Brasil é, por tradição, um país extrativista (saqueador), cleptocrata e sistemicamente corrupto (desde 1500). Para conhecer por dentro as relações de poder que privilegiam uns poucos (elites/oligarquias) em detrimento dos muitos, vale a pena repassar a história de “sucesso favorecido” de Eike Batista.

2) Em 2012, Eike era o 8º bilionário mais rico do mundo (Agência Bloomberg e Forbes).
A revista Veja (18/1/12) afirmou: “É um grupo que trabalha muito, compete honestamente, orgulha-se de gerar empregos e não se envergonha da riqueza”.

3) Era mais uma propaganda enganosa, que custou milhões de reais aos acionistas minoritários das empresas EBX. A historiografia, com certeza, vai registrar mais um “aventureiro extrativista”, que se valeu dos seus contatos políticos para se enriquecer (e gerar danos sociais incomensuráveis).

4) Pela delação (em curso) de Mônica Moura e pela confissão dele mesmo sabe-se que parte daquela fortuna do “campeão nacional” (conquistada em grande medida pelo acesso fácil ao dinheiro público) foi parar nas contas no exterior do casal (Mônica/João Santana), para pagamentos de campanhas eleitorais durante o período lulopetista.

5) O financiamento de campanhas (de forma lícita ou ilícita), de qualquer modo, é a via mais rápida para se buscar um plus de enriquecimento politicamente favorecido e/ou cleptocrata. No seu depoimento Eike informou que também deu propinas para o PMDB (sobretudo para Cabral, no RJ) e para o PSDB.

6) O conglomerado “campeão nacional” EBX surfou na onda do boom das commodities. A empresa OGX prometia produzir muito petróleo e vencer a Petrobras (ambas, hoje, estão “falidas”). Criou-se o estaleiro OSX, que transportaria minérios da MMX. Os navios precisavam de ancoragem; aí veio a LLX com o “superporto” de Açu. Havia ainda empresas na área de energia (MPX), carvão (CCX) e muitas outras (ver Marcos Mendes, Por que o Brasil cresce pouco?).

7) Acesso privilegiado ao dinheiro público subsidiado: O modelo institucional extrativista brasileiro, desde os seus primórdios colonialistas e neocolonialistas, é pródigo em fazer brotar fortunas bilionárias (parcial ou totalmente) favorecidas pelo acesso privilegiado das elites/oligarquias econômicas e políticas ao dinheiro público do BNDES, da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, fundos de pensão etc. (leia o livro “Por que o Brasil cresce pouco?”, de Marcos Mendes).

8) “No governo Lula, empresas do grupo EBX obtiveram do BNDES autorização para empréstimo ou aquisição de ativos que somaram R$ 10,4 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões foram efetivamente liberados, de acordo com o banco” (leia o livro “Por que o Brasil cresce pouco?”, de Marcos Mendes).

9) Em 1/7/13 começou o colapso do grupo EBX e suas empresas passaram para o controle dos bancos. Eike Batista está respondendo a três processos criminais (crimes contra o mercado financeiro, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro), além de 22 processos administrativos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

10) Diante da delação de Mônica Moura (mulher de João Santana) e da sua própria confissão poderá também agora se sujeitar à jurisdição de Curitiba (Moro): fez pagamentos no exterior (caixa dois) em benefício de campanhas eleitorais (do PT, por exemplo). Também se sabe que ele contribuía com as campanhas do PMDB e do PSDB. Suas propinas eram democráticas. São hecatômbicas as provas da sua corrupção institucional.

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